quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

A Colômbia é uma festa


Fui à Colômbia entre 2 e 22/12/24. E me surpreendi. É um país múltiplo, como o Brasil, apesar de tão pequeno. Uma única viagem é muito pouco pra ver o que a Colômbia tem em termos de história, cultura, florestas e praias.

Tinha uma expectativa de uma viagem cheia de novidades, mas não fazia ideia de que cada cidade (Bogotá, Medellín e Cartagena de Índias) seria tão diversa e rica culturalmente.


BOGOTÁ







Viajei com minha grande amiga Patrícia Raposo. Nossa primeira parada foi a capital, Bogotá. Nos hospedamos no bairro La Candelaria, que é o bairro histórico de Bogotá e é um lugar muito agradável, uma Olinda com ladeiras e prédios antigos, mas com vários equipamentos turísticos, os principais museus estão lá, o que foi ótimo pra percorrermos a pé.

Bogotá está a 2.640 metros de altitude em relação ao nível do mar e por isso o clima é sempre ameno. Pegamos um friozinho gostoso, nada de mais. 

Bem pertinho do hotel (ApartStudio La Candelaria) ficava a Plaza Bolívar, a principal da Colômbia, onde estão a catedral, o Palácio da Justiça e o Capitólio. Naquela praça imensa a gente vê comerciantes de rua vendendo comidas e bebidas típicas, pessoas que com llamas e alpacas que cobram por uma foto com os animaizinhos andinos, pessoas vendendo seus artesanatos, manifestantes realizando suas manifestações... É uma festa para os sentidos. Como era época de Natal, a praça estava se arrumando com estátuas e luzes.









Por falar em sentidos, se as comidas e bebidas diferentes vendidas nas ruas não tinham o cheiro típico e enjoado das massas verdes que vi na Cidade do México, Bogotá tem música em toda parte. Parece que todos os "negócios" combinaram de ligar seus aparelhos de som e a gente escuta música o tempo inteiro (música colombiana, animada), além de.muita buzina de carro (os colombianos buzinam à vontade!). Ah, e os ambulantes chamando clientes, aos gritos, compõem o fundo musical do passeio pela área histórica de Bogotá.





COMIDAS

Procuramos provar os pratos mais típicos, do café da manhã à última refeição, pra termos uma ideia de como comem os colombianos. Muito interessante o hábito de tomarem sopa no café da manhã, provavelmente por conta do clima frio. Provamos a changua, uma sopa de leite com cebola, coentro e cebola acompanhada de pão ou arepas (tortinha de milho). E provamos também um caldo de costela. Ambos gostosos e energéticos. 


No almoço também rolou sopa, uma tal de ajiaco, que é uma canja de galinha com milho (pedaços inteiros) dentro acompanhada de arroz e abacate. O suco de lulo, que pedi na mesma refeição, é muito bom (lembra abacaxi, mas mais gostoso) Recomendo!


Nas ruas os vendedores de frutas chamam a atenção com seus carrinhos coloridos, cheios de mangas, melancias... A manga é cortada em fatias e vendida em copos plástico, verdes ou maduras, com sal, pimenta e limão. 
















Obleas são uns biscoitos redondos bem fininhos e crocantes com recheios variados. Pedi uma só com doce de leite (arequipe) e adorei!

Na Candelaria estão o Centro Cultural Gabriel García Marquez, o Museo Botero, o Museo del Oro e muitas outras atrações culturais. Também está uma famosa confeitaria chamada Bombón, onde comemos o que eles vendem como o melhor "milhojas" da Colômbia. É um doce de mil folhas não muito doce, que pode ser escolhido entre os sabores chocolate, amêndoas, frutas vermelhas e doce de leite. Eu e Patrícia, preocupadas com a glicose, dividimos um de amêndoas. É de comer rezando!










MONTSERRATE

O morro de Montserrate, onde fica a igreja e de onde de tem uma vista geral da cidade de Bogotá, fica a 3.152 metros de altitude. Pode-se subir de funicular o teleférico. Escolhemos o teleférico e subimos já perto do anoitecer pra ver o pôr do sol lá de cima. Além da igreja, tem várias lojinhas, lanchonetes e restaurantes com preços pra turistas. A vista impressiona porque Bogotá é uma cidade grande (quase 8 milhões de habitantes) e só do alto a gente tem essa real dimensão. O por do sol é, como não podia deixar de ser, um show à parte.





PASSEIOS

De Bogotá pegamos uma excursão para Zipaquirá, um município onde havia uma mina subterrânea de sal que foi transformada em ponto turístico depois que construíram uma via crucis e uma catedral lá nas profundezas salinas. A Catedral de Sal é um espaço interessante de visitar, embora eu não tenha considerado essencial. São túneis escuros com esculturas de cruzes em que o visitante é guiado (por fones de ouvido) e vai acompanhando a trajetória de Jesus Cristo até o calvário. 







Há também uma catedral gigantesca, onde assistimos à projeção de um filme sobre a criação divina, a réplica de uma mina de esmeraldas e até um mini museu egípcio. Fechando o roteiro, ainda no subterrâneo, uma galeria de lojas de produtos feitos com sal, de cosméticos a chocolates.

CARNE DE RES

No mesmo tour para a Catedral de Sal, escolhemos conhecer o restaurante Andres Carne de Res bo município de Chia, que seria a loja original. Depois dessa abriram filiais em Bogotá, Medellín e sei-lá-mais-onde. O tour, antes que me esqueça, foi comprado pela empresa Get your Guide e no dia só eu e Patrícia compramos, ou seja, o motorista era exclusivo pra nós duas. O nome dele era Sebastián e voltarei a falar dele mais adiante.







O restaurante é uma muvuca. Em todos os sentidos. Tem objetos de todo tipo, do piso ao teto. As mesas são tantas que o espaço entre elas é mínimo. Há muito barulho, de música e vozes. O restaurante está sempre lotado. É um ponto turístico. Mas é im-per-dí-vel! Que lugar! Que comida! Que experiência! Só indo pra sentir! É um mundo fantástico!

Aconselhada por nosso motorista Sebastián, pedi "lomo al trapo". Que maravilha! A carne vem pra mesa numa grelha, enrolada num pano, já levada à brasa, só pra ser finalizada. Macia e suculenta. Uma delícia!!!!

ENGARRAFAMENTO

Na volta pra Bogotá (Chia fica a uns 30 quilômetros), pegamos um engarrafamento colossal. Eu puxava assunto com Sebastián, mas já cansada também, não alongava muito a conversa. Acertamos com ele de nos pegar no dia seguinte pra um rolê pela parte moderna de Bogotá.




Tudo certo, logo cedo no dia seguinte mandei uma mensagem confirmando nosso passeio. Sebastián demorou a responder e quando fez mandou uma foto de um posto de saúde com macas no corredor, dizendo que tinha acontecido uma coisa muito estranha, que ele não tinha memória nenhuma depois de ter nos deixado. Disse que tinha sido encontrado pela esposa e a polícia, pelo GPS, na manhã seguinte, dentro do carro, perto de Montserrate. E que ainda estava grogue, se recuperando no hospital, e que alguém teria dado uma limpa na conta corrente dele.

A história é horrível e um pouco doida. Lamentei, prestei nossa solidariedade e seguimos.

Fomos por conta própria bater perna por Bogotá. Chorro de Quevedo é uma vilazinha de ruas estreitas e cheias de grafites coloridos onde, dizem, nasceu a capital colombiana. Como fomos muito cedo, as lojas ainda estavam fechadas e o movimento era pouco, mas deu pra curtir o lugar e tirar algumas fotos das fachadas. 












Tem uma praça chamada Plaza de los Periodistas que é onde há um letreiro instagramável com o nome da cidade, onde passam os ônibus Transmilênio (o BRT deles) e de onde se pode pegar o ônibus turístico hop on hop off


Aproveitamos pra caminhar pela parte mais nova da cidade, onde há prédios de grandes empresas, arquitetura ultra moderna, parques, a antiga arena de touros, planetário... Fomos também à Zona T, na Zona Rosa, que tanto nos aconselharam a ir, mas como fomos de manhã, tudo estava fechado e a região não tinha a menor graça. Foi uma furada, devíamos ter deixado pra ir à noite, quando o bairro se torna uma área boêmia e animada. Fica pra próxima!


MEDELLÍN

Medellín me lembrou muito as grandes cidades brasileiras, com uma desigualdade gritante. Quando saímos do aeroporto passamos por um túnel super longo (contamos onze minutos para atravessá-lo) e depois por outro e então percebemos que estamos numa montanha, de onde vislumbramos floresta de um lado e um misto de prédios altos e milhares de casinhas amontoadas nos morros do outro.



Logo no primeiro passeio caímos de paraquedas no "vuco-vuco" de lá, o centrão da cidade, a "25 de março" colombiana. Era domingo, próximo ao Natal. Milhares de pessoas se espremiam entre os ambulantes e as lojas próximas. Nossa meta, bem pertinho dali, era a maravilhosa Plaza Botero, também lotada de turistas disputando espaço para uma foto de recordação junto das gigantescas estátuas doadas pelo artista à cidade. Ali também fica o Museo de Antioquia, com mais um vasto acervo doado por Botero e outras obras de arte da Colômbia e do mundo.













Aproveitamos pra conhecer o Jardim Botânico de Medellín que, entre outras coisas, tem uma Casa de las Mariposas onde caminhamos entre borboletas de todas as cores. Bem ao lado estão outros atrativos, como o Parque Explora (uma espécie de Espaço Ciência), o Aquário e o Planetário.





No El Poblado, onde nos hospedamos, muitos bares e restaurantes transados e pra todos os gostos. Como o hotel ficava no pé de uma ladeira íngreme e longa, conhecemos muito pouco do bairro a pé, mas quando estávamos no ônibus pudemos ver que é um bairro bastante boêmio e interessante de conhecer.

No segundo dia pegamos um citytour que nos levou novamente à Plaza Botero e em seguida à Comuna 13. Medellín é cercada por um paredão de morros lotados de casas. Os bairros que compõem a Comuna 13 estão nesses morros e são formados por ruas estreitas, ladeiras, muito grafite colorido, equipamentos de ginástica, bares, dezenas de lojinhas de souvenir, espaços de apresentação de hip hop, quadras de lazer e a cereja do bolo, escadas rolantes que facilitam a mobilidade de moradores e turistas.














Mateo, um jovem morador da Comuna que foi nosso guia, contou que até os anos 1990 a região era palco de uma furiosa guerra entre grupos de traficantes. Ele mesmo, quando criança, não podia jogar bola em determinada área ou ter amizade com meninos de uma facção rival. Ali pelo início dos anos 2000 (a conferir), a Comuna 13 foi sorteada para receber um investimento em mobilidade (as escadas rolantes, únicas no mundo) que viria a transformar a realidade local!

Com a instalação da escada rolante, a comunidade começou a receber turistas e a partir daí os próprios moradores começaram a embelezar a região com os coloridos e alegres grafites, o turismo foi avançando, e à medida em que a economia local se desenvolvia, os jovens passavam a se interessar mais por cultura e esportes em vez de se arriscar no narcotráfico. A Comuna 13 hoje é um importante ponto turístico de Medellín e serve de exemplo para muitas outras cidades que lutam contra o tráfico de drogas. "Ainda existe tráfico aqui, mas não existe mais a violência que existia", contou Mateo.






Além das escadas rolantes, a Comuna 13 também é servida por um sistema de metrô e metro cable, que é uma rede de teleféricos integrada ao metrô. Do alto é possível ver o impressionante adensamento de moradias pobres e o contraste abissal daquela cena com as áreas ricas de Medellín.

De perto, nas ladeiras da Comuna 13 vimos uma comunidade orgulhosa, organizada e alegre. Música em toda parte, muita movimentação de pessoas, muita arte de rua. Um exemplo de criatividade e resistência.

 

Guatapé

No terceiro dia pegamos uma excursão para Guatapé, cidade que fica a umas duas horas de Medellín, e Piedra del Peñol. O passeio vale muito a pena porque Guatapé é uma cidade incrivelmente colorida, as casas são decoradas com rodapés que os locais chamam de zócalos e que contam histórias ou simplesmente decoram as fachadas e fazem da cidade única. 










A Piedra del Peñol é um morro enorme sobre um lago artificial que se pode subir (728 degraus) pagando uma taxa de 25.000 pesos (35 reais). Tanto a pedra quanto todo o entorno dela, composto por lojinhas, bares, mirantes, espaços instagramáveis e passeios de tuk-tuk e de helicóptero pertencem a uma mesma família, a do cara em cujas terras estava o morro e que teve a ideia de construir uma escada até o topo e transformar o local num dos pontos turísticos mais visitados da região.








Depois de admirar a vista do alto, fomos passear pelo lago numa espécie de catamarã. É um passeio agradável, com um animador puxando improvisos engraçados com os turistas e música colombiana tocando nas alturas. Passamos por diversas mansões, hotéis, pessoas em jet ski e até pela La Manuela, mansão construída por Pablo Escobar para sua filha Manuelita. O imóvel, abandonado, conta com uma estrutura reforçada de segurança, com uma guarita alta onde capangas ficavam de plantão 24 horas por dia.





Antes de terminar o passeio, almoçamos no caminho de volta a Medellín e demos uma parada em Alto del Chocho, uma localidade onde há um pátio com umas trinta llamas soltas interagindo com os visitantes e restaurantes, tanques com peixes e atrações infantis.

Teria sido muito bom ter passado mais tempo em Medellín. As pessoas são sorridentes e prestativas, o clima é quente mas não tanto, e a acolhida foi acima das expectativas.

Ah, em Medellín provamos a bandeja paisa, um prato composto por feijão, carne moída, torresmo, banana frita, linguiça, abacate, ovo frito e arepa de milho. E a imperdível limonada de coco!!!











CARTAGENA DE ÍNDIAS


Se fosse possível esfriar o ar, Cartagena de Índias seria o destino turístico perfeito. Cidade plana, casario belíssimo, praças e mais praças, parques, fortalezas, reservas de natureza preservada com aviário, praia e ilhas com mar cristalino e quente, comida deliciosa, artesanato riquíssimo. 



Sim, além do calor impressionante, outras coisinhas desagradáveis típicas de um lugar de alto apelo turístico: preços muito altos, bem mais altos inclusive que da capital Bogotá; a quantidade de visitantes se espremendo nas ruas e competindo por um lugar na fila da foto; rispidez de parte dos prestadores de serviço, como guias, motoristas de Uber e de ônibus (adoram usar o celular enquanto dirigem); e o assédio assustador dos comerciantes nas ruas. Não se pode andar sem ser abordado, seja por alguém oferecendo um produto, seja por um pedinte implorando por esmola.




















Cartagena é encantadora. A cidade é, em si, uma festa. Ficamos hospedadas na Ciudad Amurallada, que é o centro histórico. À noite tem gente andando de patinete, de charrete, de bicicleta, tem dançarinos se apresentando, músicos tocando instrumento, noivos dançando na rua num cortejo de convidados ao som de batucada... Cartagena é várias. É testemunha de uma história de ataques e resistência, da Inquisição e suas indecências, é arquitetura colonial com fachadas e sacadas que nunca cansam a vista, flores, plantas, pássaros (o corvinho escandaloso Maria Mulata está em toda parte, mas também fragatas, gaviotas, pelicanos e muitos outros), tem chocolate e café dos bons, tem suco de lulo, arepa com ovo, pastel cartagenero, café granizado com Baileys e uma infidade de comidas a se descobrir.
















Cartagena é também única. Uma cidade para quem tem dinheiro para curtir seus restaurantes incríveis, as noites badaladas que nunca acabam antes do amanhecer e dos passeios exclusivos a praias privadas com serviço vip e toda a ostentação. Aos que não têm dinheiro sobrando, restam ainda andar por suas ruas explorando cada detalhe, admirar a criatividade dos artistas locais em sua produção de bugingangas típicas ou simplesmente se sentar numa das oito praças do pequeno centro histórico e aproveitar para observar o vai-e-vem de pessoas e a eterna animação de Cartagena.

PRAIAS

É importante ficar atento às roubadas. Como há muita demanda por passeios e tudo é muito caro, há oferta por passeios mais em conta... mas não tão bons.

Logo no primeiro dia fomos abordadas por vários comerciantes que ficam na Torre Del Reloj (entrada da Ciudad Amurallada) com "cardápios" de passeios. E compramos um pequeno tour pela cidade num ônibus chiva, um veículo artesanal e rústico típico das áreas rurais. Me pareceu que seria um programa genuíno, mas logo depois da saída nosso ônibus raspou e arrancou o retrovisor de um outro ônibus. A partir dali começou uma mini perseguição pelo trânsito de Cartagena e nós, passageiros, não ficamos nada tranquilos. Terminou que o ônibus atingido conseguiu nos ultrapassar e nos trancar. O motorista saltou e tentou, em vão, convencer nosso condutor a pagar o prejuízo. Não houve acordo. Resignado e puto, foi embora.





A primeira parada foi no monumento Los Zapatos Viejos, que nada mais é que uma escultura em bronze de duas botas velhas, que tem origem no num poema de um tal Luis Carlos López citando os sapatos viejos como um símbolo de amor pela linda cidade amuralhada. Graça nenhuma. Mas os turistas, debaixo de um sol de 40 graus, organizaram uma fila para tirar foto junto da escultura.


Em seguida fomos para o Castillo San Felipe, considerada a maior obra militar espanhola no Novo Mundo. Uma fortaleza no alto de um morro que teve papel importante na defesa da cidade na época em que ela era constantemente atacada e saqueada. Isso foi nos anos 1500 e por sua localização estratégica, o rei Felipe II ordenou a construção de todo um sistema de fortalezas, que até hoje existe como "a muralha de Cartagena". Para subir até o forte é preciso ser forte e aguentar o calor. Mas vale a pena porque lá de cima tem-se uma vista 360 graus da cidade.









Fechando o passeio, fomos olhar a orla de Cartagena, mais especificamente a praia de Bocagrande. Foi só um passeio rápido, com paradas para fotos.





DICA: Opte pelo ônibus hop-on hop-off, que dá direito a dois dias de passeio, cobre uma área muito maior da cidade e você pode fazer tudo no seu ritmo, sem precisar esperar pelo grupo. Fizemos isso, nos últimos dias, e foi bem melhor!


A segunda "roubada" foi também por procurarmos preços mais em conta. Fomos abordadas dentro de um mercado de rua por um senhor chamado António anunciando que tinha passeios para as ilhas do Caribe por preços convidativos. Ele já foi nos arrastando para dentro da loja dele (mistura de arremedo de agência de viagens com loja de bugingangas) e nos oferecendo cadeiras. Pensei em não aceitar, mas terminei aceitando e ele foi nos mostrar seu registro de agente de viagens e as opções de passeio. Terminamos comprando um tour das cinco islas com plânctons luminescentes. 

No dia seguinte, no horário combinado, o señor Antonio foi nos buscar, a pé, na frente do hotel. Nos acompanhou até a Torre del Reloj e já nos "entregou" a uma outra pessoa, que nos orientaria a pegar o ônibus até Playa Branca Baru, de onde saem as lanchas. O ônibus levou mais de uma hora até a praia (Antonio tinha falado que seriam 15 minutos) e, chegando lá, fomos recebidas com um "mimo" da empresa: um sanduíche misto frio e um refresco aguado e de sabor indecifrável.



Antes que eu conseguisse engolir o sanduíche, começou o alvoroço. Os dois caras que levariam a gente na lancha a gritar mandando a gente entrar, a lancha balançando e a gente com dificuldade de subir com nossas coisas. Nem acreditei quando o rapaz fez menção de me botar no colo, e quando ia brincar que ele não conseguiria, já estava literalmente no ar, nos braços dele, sendo depositada num pequeno espaço que sobrava dentro da lancha lotada.

Na expectativa de ver as águas azuis do mar do Caribe, até então estava de boa. O problema foi quando a lancha se posicionou em direção ao alto mar e começou a acelerar. Éramos pelo menos 22 pessoas, a lancha estava lotada. E o "motorista" não estava preocupado com mi mi mi. Enfiou o pé no acelerador e, juro, devemos ter chegado a uns 100km/h. A lancha ia em pé, batendo fortemente na água. O vento e os respingos da água na cara mal deixavam a gente respirar. Como a entrada na lancha foi aquela loucura, fiquei na parte da frente e Patrícia no último assento da lancha. Apavorada, eu tentava me espichar pra ver como ela estava e o pouco que conseguia ver parecia que ela estava tranquila, muito séria, olhando o oceano.

A primeira parada, pra ver peixinhos, foi um desastre. Me mandaram pular da lancha, mas o lugar era raso, cheio de corais, machuquei meu pé. Em seguida colocamos as máscaras (não tinha snorquel, como prometido) e ficávamos obedecendo o rapaz da lancha, desesperado, gritando: "Nadem pra cá, aqui tem uma família de peixinhos. Agora nesta direção...". E eu, tensa, comecei a perder o fôlego. Voltamos pra lancha e seguimos o passeio, a 1.000km/h.








Na parada seguinte, finalmente, consegui me aproximar de Pat. Ela estava em pânico também. Disse que nunca tinha rezado tanto na vida, que aquilo era uma furada e que a gente podia morrer naquela lancha lotada. A ilha era uma muvuca. Muita gente aglomerada debaixo de uns guarda-sóis dentro d'água, muitos vendedores e mulheres nativas que se aproximavam massageando nossas costas. Por sorte havíamos sido avisadas pelo señor Antonio a não aceitar, pois elas cobram pela massagem depois de feita. E não é barato.

A terceira parada foi numa outra ilhota não menos caótica. Por toda parte música colombiana nas alturas. Nos deitamos numas espreguiçadeiras e tentamos relaxar um pouco, preocupadas com a volta ao continente. 

Na volta, almoço. Podíamos escolher a proteína e fomos de peixe. Mojarra é um peixe inteiro, frito, típico da região. O sabor é até bom, mas tem muita espinha. Não gostamos muito. Patrícia concluiu que o passeio estava ruim e que não teria coragem de pegar a lancha à noite pra ver os plânctons. Pegou o ônibus e voltou pro hotel.




Eu, que resolvi ficar, peguei uma cama coberta na beira da praia e dei um belo cochilo. Quando acordei fui tomar banho de mar e depois dar uma volta pra tirar fotos. Às 18h a lancha saiu, junto com várias outras, em direção ao local dos plânctons. Dessa vez não foi tão rápido e eu já estava me entrosando com uma família de colombianos que estavam de férias em Cartagena. Chegando no local, a 3 metros de profundidade, pulamos na água escura. Uma delícia, bem quentinha! E pra ver a luz dos plânctons é preciso agitar os braços debaixo d'água. Eu confesso que me decepcionei com a luminosidade, não é aquilo tudo que a gente vê nas fotos e vídeos na internet. Mas a experiência valeu muito a pena.

PRA CONHECER A PÉ

Nos últimos dias de viagem, apesar de termos comprado o passe no hop-on hip-off, exploramos bastante a cidade a pé. Não falta coisa legal pra ver. Fomos ao Palácio de la Inquisición, Plaza Bolívar, Serrezuela (antigo teatro arena que hoje é shopping) e caminhamos muito pelos bairros de Getsemani e Centro. O casario é espetacular, com sacadas floridas e cores vibrantes. As lojas, pousadas e restaurantes são lindíssimos, tudo de muito bom gosto. 


























Conhecemos uma livraria café chamada Ábaco, onde passamos boas horas olhando os livros e onde comprei (presente de papai) a edição comemorativa dos 50 anos de Cem Anos de Solidão! Fechei com chave de ouro minha dia à Colômbia!





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